22 de fevereiro de 2013

De que adianta?

Abro a internet pela manhã e me deparo com a notícia de que o Corinthians sofreu uma punição da Conmebol e terá que disputar a Libertadores com os portões fechados nos jogos dentro de casa, e não terá direito a ingressos nos jogos fora. É sério isso? De que adianta a Conmebol intervir, se a iniciativa que deveria partir da própria direção do clube paulista não existiu? O técnico falar que trocaria o título mundial pela vida do menino não adianta nada. Onde está o Governo brasileiro nessa história toda? Tem que se manifestar sim!

Na década de 80, após o desastre no Estádio de Heysel, em Bruxelas, onde 38 pessoas foram mortas e mais de 400 foram feridas pelos Hooligans, em plena final de Copa dos Campeões, entre Liverpool e Juventos, o governo inglês interviu, e baniu TODOS os clubes ingleses de competições europeias, por cinco anos. Para o Liverpool, um ano adicional. Depois, a justiça decidiu por suspender metade das penas.

Depois que realizou tais medidas e sentiu que o futebol estava à beira da ruína, mais uma vez, o Governo inglês determinou transformações nos estádios britânicos. Mandou retirar as 'gerais', onde os torcedores ficavam de pé; mandou colocar cadeiras numeradas; retirou as grades de proteção; os brigões e causadores de situações incompatíveis com o futebol foram severamente punidos; catracas e portões receberam dispositivos de segurança; câmeras de monitoramento em TODAS as arquibancadas; aumentou o preço dos ingressos e proibiu a venda de bebidas alcoólicas nos estádios.

Depois, tudo mudou. O futebol inglês virou fonte de exemplo, com sua organização e segurança. Por que não podemos agir assim? Por que o Governo brasileiro não pode interferir? Claro, por conta da quantidade de dinheiro envolvida. Todos sabemos disso.

Mais uma vez, te digo, não é porquê aconteceu com o Corinthians, que demonstro tal irritação, não. Claro que não. Poderia ter acontecido com qualquer time do Brasil, até o meu. E é por conta dessa indisciplina, dessa falta de consciência, que deixamos de ser o país do futebol. Para ser o país do futebol, não é preciso somente jogar futebol adoidado, ou ter uma seleção pentacampeã do mundo, não. Tudo começa nas arquibancadas, com o torcedor. A Inglaterra é um bom exemplo de que com medidas exatas e repreensão a atos esdrúxulos, o futebol muda, a sociedade muda.

A vida deste torcedor incompetente que, propositalmente, ou não, atirou um sinalizador para a torcida boliviana, que atravessou a cabeça de um jovem de 14 anos e o matou, acabou. Tem que ficar preso pro resto da vida. Os sinalizadores e afins têm que ser banidos do futebol, para que situações como essa sejam evitadas.

No entanto, ainda acho que para tentar esfregar um pouco mais esta mancha de sangue que suja o escudo corinthiano, a diretoria do clube deve se manifestar e punir sua torcida de forma mais severa, podendo até chegar a  pedir afastamento da Libertadores, se for preciso. Tem muita coisa errada nesse meio, onde o dinheiro fala mais alto do que a razão. A Libertadores para o Corinthians já acabou. A torcida já foi expulsa, falta só o time se retirar de campo.


2 comentários:

  1. imagine a situação de o corinthians campeão este ano, sem torcidas na arquibancada para ver o título e com uma mancha vermelha no inicio da competição... triste.

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  2. É realmente triste o que acontece nas arquibancadas e motivo de afastamento de grande parte do público que está ali pelo espetáculo.
    Eu tive a sorte de poder assistir a um Benfica x Barcelona pela Champions (lógico que não está entre os grandes clássicos europeus) e ver como as torcidas se portam. Cantando os cantos do seu time eles seguem no mesmo metro, comem nos mesmos lugares, entram pela mesma entrada e saem pela mesma saída no estádio. Existe respeito.
    E por preço de ingresso eu já nem sei se no Brasil faria tanta diferença, essa parte da torcida que sempre está lá pra fazer merda viajou até a Bolívia. Mesmo que seja de ônibus é um montante considerável pra um trabalhador brasileiro gastar com futebol.
    Enfim, realmente falta ação dos responsáveis pelo futebol brasileiro.
    Muito bom o texto.

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