Quero o futebol carioca de volta. De volta aos velhos tempos, com seus craques e arquibancadas lotadas! Quero ver a torcida comparecendo em peso aos jogos. Quero o Maraca lotado com a torcida do Flamengo com sua imensidão e loucura; com a do Vasco com seus bandeirões e músicas que ficam na cabeça; com a do Fluminense com suas três cores predominantes se destacando e dando vida às arquibancadas; e com a do Botafogo, onde em meio a um mar preto e branco, uma solitária estrela dá luz e força ao time.É inadmissível ter que acompanhar o campeonato carioca e notar que, mesmo com a ausência temporária do Maracanã, os estádios, principalmente o Engenhão, não ficam lotados. Somam, às vezes, nem 10 mil torcedores. Tristeza. Tristeza que assola, desde os torcedores mais fanáticos, aos mais sazonais.
Quero o fim da violência nos estádios. Quero poder ver mais crianças com seus pais nos estádios. Ver seus sorrisos bobos ao meu lado, além de poder vê-los usar, juntos com seus pais, camisas de seus respectivos times, sem se preocupar com a saída do estádio. Já passei por uma situação dessas com meu pai, em um jogo entre Flamengo e Botafogo. Posso dizer que minha primeira ida ao Maracanã nunca mais será esquecida, até porquê, após o jogo fomos parar dentro de um prédio, por conta de uma briga entre torcedores do Botafogo e policiais.
Quero a volta das jogadas plásticas, das cobranças de falta de tirar o fôlego, da vontade, da raça, do amor à camisa. Quero ídolos que assumam de qualquer forma a responsabilidade de comandar seu time; que, em uma simples jogada, mudem o destino do jogo. Não quero mais ser dependente de vídeos no Youtube, para ver ídolos do passado, como Zico, Dinamite, Garrincha e Rivelino. Quero poder contar aos meus filhos e netos que o fulano de tal foi o maior craque que vi jogar, pessoalmente, no meu time.
A fábrica de craques do futebol carioca sumiu, temos que admitir Hoje, garotos considerados como promessas do futebol com 14, 15 anos, são vendidos para o exterior, onde somem e se tornam terceiros reservas. Quero de volta esse amor à camisa. Quero ver craques começando e despontando no meu/seu time de coração. Sinceramente, chega de ser o país onde craques e jogadores mundialmente conhecidos querem jogar no fim de suas carreiras. Sei que é bom ver um Seedorf, ou um Ronaldinho Gaúcho, ou até mesmo Forlán e Juninho Pernambucano jogando no Brasil, mas por quê esse dinheiro todo não é investido na base de seus respectivos times? Vai que pinta um provável camisa 10?
Times de São Paulo e Minas Gerais vêm fazendo isso com suas promessas. Estão aí Neymar, Lucas e Bernard que não me deixam mentir. Agora, qual a dificuldade dos clubes do Rio de Janeiro começarem a fazer isso? O Flamengo tinha promessas como Thomás e Adryan e, por culpa de questões de dirigentes, o rendimento dos moleques caiu absurdamente. Sem falar de Rafinha, que mesmo despontando como revelação do campeonato, já vem despertando interesses de clubes estrangeiros. Não vai demorar muito até que gigantes como o PSG, que demonstrou interesse, leve embora o menino.
Sinceramente, quero ver o futebol carioca com os olhos do meu pai, ou do meu avô. Em 20 anos, não vi nem 1/3 do que tinha presente nas histórias em que me contavam e contam até hoje. Em que pedaço da história, os times cariocas deixaram de ser Os Cariocas? Sei que não dá pra voltar pro passado, mas será que ainda resta alguma chance de conseguirmos ver o futebol das histórias dos nossos velhos?
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